Posts de Fevereiro, 2008

apaziguando a madrugada

29 Fevereiro 2008

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

Por um mundo pior… a cada dia =/

29 Fevereiro 2008

Eu ainda continuo me decepcionando com as pessoas…. hoje de tarde aconteceu uma coisa que me deixou extremamente revoltada. Estava eu voltando pra casa depois de ter ido visitar uns amigos quando eu vejo uma senhora jogando um monte de papéis no meio da rua. Simplesmente rasgou e jogou tudo fora, em plena rua!!!! E pra tornar a situação mais patética, ela estava exatamente na frente da casa dela!!! Era só atravessar a rua e entrar!!!! Mas eu fiquei tão indignada com aquilo que não pensei duas vezes: chamei ela de mal educada e perguntei se ela não tinha vergonha de jogar todos aqueles papéis na rua, só me faltou segurá-la pelo braço e fazê-la juntar tudo!!! Mas eu estava de bicicleta e o vento era muito forte, quando eu vi o sucedido já tinha voado tudo longe :(

Gente mal educada e inconsciente é uma coisa que me irrita, vraiment!

Children do. Children see.

29 Fevereiro 2008

Não me lembro como eu descobri este vídeo, mas com certeza vale a pena assisti-lo: é uma ótima campanha de um canal de TV australiano.

necessidade básica

26 Fevereiro 2008

linda1.jpg

Preciso de pessoas mais interessantes na minha vida. Tô cansada dessa gente chata, sem nenhuma graça.

Preciso de gente que goste de filosofar sobre a vida de modo geral, sobre sentimentos confusos, sobre certezas e incertezas.

Preciso de gente certa.
Preciso de gente incerta.
Preciso de gente que não tenha medo dos percalços.
Preciso de gente que saiba que nunca desistir é lutar pelo o que se acredita.
Preciso de gente que acredite.

Preciso de gente que me diga coisas que ainda não ouvi.
Preciso de gente que me indique livros que ainda não li e músicas que ainda não ouvi.

Preciso de gente que renove.
Preciso de gente que aceite.
Preciso de gente que negue.

Preciso de gente que me faça pensar sobre coisas que ainda não pensei e que, da mesma forma, queira pensar também.
Preciso de gente que me diga a verdade e que, da mesma forma, queira ouvir também.

Preciso de gente que me mostre o outro lado da moeda.
Preciso de gente que numa entediante tarde de um domingo nublado perceba a beleza da ausência do sol e da presença das nuvens.

Preciso de gente que entenda.
Preciso de gente que diga, que fale.
Preciso de gente que ouça, que escute.
Preciso de gente que sinta e transmita.
Preciso de gente que precise de gente.

obs.: eu não prometi que voltava ao assunto do post anterior?

“…vamos nos permitir…”

25 Fevereiro 2008

liberdade.jpg

queria que meus dias tivessem, pelo menos, umas 48 horas e que a minha necessidade de dormir se restringisse à duas!! é tanta coisa que eu quero fazer, tantos livros pra ler, tantos filmes pra ver, tanta música pra ouvir, ver meus amigos, conhecer novas pessoas… tanta vontade de saber mais sobre tudo! mas eu nunca consigo terminar meu dia sem conseguir fazer tudo o que eu quis… isso me dá uma agonia tremenda!! adio a hora de dormir até onde meu limite me permite…

agora falta menos de uma semana pra volta às aulas…! nas férias eu não consegui fazer nada, imagina agora que terei aula de manhã, de tarde e de noite? aiiiiii… estou ansiosa pelo porvir, quero mais, quero tudo e eu quero agora! a espera me aflige!!

mais um fim de semana…

25 Fevereiro 2008

Alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom
Não ser divina
Me cobrir de humanidade
Me fascina
E me aproxima do céu…

E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre
E espera
O direito ainda
Que profano
Pro mundo ser
Sempre mais humano…

Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito
Insosso!
Prá não ser de carne e osso
Prá não ser
Carne e Osso!…*

de sábado para domingo aconteceu uma coisa estranha. na verdade, acho que fiquei até um pouco chocada, por não esperar mesmo. não vou dizer o que é por razões pessoais, mas me fez ficar refletindo: até que ponto chega a hipocrisia, a dissimulação, o disfarce humano? será que quem nós somos realmente está apenas escondido por trás de quem deveríamos ou até mesmo gostaríamos de ser?… ou seja… as pessoas são o que são ou apenas fingem que são? isso se chama o quê? cinismo… falso moralismo ou hipocrisia mesmo? até onde temos moral pra julgar e condenar a atitude de alguém?

longe de mim querer alcançar a perfeição humana, pelo contrário… foi exatamente por isso que eu coloquei a letra acima… afinal de contas, quem nunca na vida cometeu pelo menos um dos pecados capitais “que jogue a primeira pedra”! no entanto, sempre é bom lembrar, coisa que poucas pessoas conhecem (no sentido prático mesmo), que também existem as virtudes: castidade – em oposição à luxúria; generosidade – em oposição à avareza; temperança – em oposição à gula; diligência – em oposição à preguiça; paciência – em oposição à ira; caridade – em oposição à inveja; humildade – em oposição à vaidade.

Mas… tem o “certo”, tem o “errado” e tem todo o resto…

pronto, encerra parênteses. voltando… como eu ia dizendo… longe de mim querer alcançar a perfeição humana. o que eu quero dizer é que para estarmos realmente bem com as pessoas e, principalmente, com nós mesmos precisamos ter o mínimo de coerência nas nossas idéias, no nosso caráter, na nossa índole. acima de tudo, deve-se manter a veracidade e a lógica, o nexo. dá pra entender? enfim… acredito que, de certa forma, isso tudo se resuma numa só palavra: lucidez!

quando falta lucidez suficiente é que entra a hipocrisia e a inevitável “esquisitice” de condenar e julgar comportamentos alheios. ora bolas… isso me revolta! principalmente quando EU me vejo fazendo isso!

e aí também entra a letra da música: será que isso faz, naturalmente, parte da essência humana? sinceramente, eu gostaria que não embora nunca tenha conhecido ninguém que não fizesse isso, explicitamente ou não. o que, definitivamente, NÃO me serve de consolo! e o livre-arbítrio, foi parar onde?

outro dia eu estava dando uma olhada nas comunidades do orkut (às vezes se encontra alguma coisa interessante) e teve uma que me chamou atenção. não lembro exatamente como era o nome e o que dizia sobre, mas lembro que dizia algo como ter preguiça das pessoas pois são chatas. eu concordo plenamente com isso, mas já vi que estou mudando o enfoque… bem, não exatamente, mas, de qualquer forma, deixa pra próxima. prometo voltar ao assunto =)

*Moska e Zélia Duncan

Coração

25 Fevereiro 2008

Na terra do coração passei o dia pensando – coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação – repetido, invertido – ação, cor – sem sentido – couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: “I’m too pure for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos – ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso – vasto, vivo: meu coração teu.

Caio Fernando Abreu

20 Fevereiro 2008

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Que maravilha de pôr do sol, hein??

Apesar de Pelotas ser um fim de mundo onde nada acontece também nos proporciona maravilhas como esta, mas tem que saber onde encontrar

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mudando de assunto…

minhas férias estão cada vez mais se aproximando do final… faltam menos de 15 dias para a volta às aulas… realmente, eu estava precisando de um tempo só meu, de um tempo pra desopilar a mente, o corpo e a alma. pra esquecer de tudo e pra viver novas aventuras, fazer algumas loucuras, aproveitar mais a minha juventude (que tá passando cada vez mais rápida e já me sinto uma pseudo-velha), me permitir mais, me conhecer melhor, curtir minhas amigas, me valorizar mais, valorizar pequenas atitudes, ser mais compreensiva com pessoas tão próximas a mim e que apesar de não demonstrar são, sim, muito importantes pra mim.

afinal de contas…. eu mereço ou não mereço ser feliz?????? é claro que eu mereço… e eu só quero ser feliz!!!!!!!! ter paz… tranqüilidade e aprender, aprender muito!!! aprender com meus erros, com meus acertos e chega de boas intenções! de boa intenção o inferno tá cheio… é muito fácil falar/fazer sem pensar… que pense nas conseqüências das atitudes antes de agir!

mistureba de assuntos, mas é isso aí! ;)

minha racionalidade às vezes me assusta

15 Fevereiro 2008

Eu sabia que eu era uma pessoa forte. Nunca me deixei abater tão fácil assim, pelo menos não por muito tempo. Mas ultimamente eu tenho me descoberto uma pessoa muito mais forte do que eu pensava e quanto mais forte me descubro, mais forças eu tenho.

Confesso que antes eu estava frágil, muito frágil mesmo. Nunca fui de chorar muito e o que eu mais fazia era chorar. Caso isso não acontecesse, eu queria estar chorando. Horrível, não? Não sei exatamente a razão por que eu me deixei levar, talvez falta de maturidade, medo… eu não sei. Tenho muito o que viver ainda.

Sei que é difícil se desvinciliar de certas coisas, mas, às vezes, parece que vai ser tão mais difícil… parece que vai ser tão difícil suportar… Será que me deixei enganar? Não, não me deixei enganar, tenho certeza disso. Passou tão rápido… Tenho consciência de que é melhor assim, mas… como meu diz meu amado Drummond: “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”.

Acho que nunca vou conseguir me compreender. Eu me entendo, mas não me compreendo. Como diz Caio Fernando Abreu “despojado do que já não há solto no vazio do que ainda não veio, minha boca cantará cantos de alívio pelo que se foi, cantos de espera pelo que há de vir“.

Vou aproveitar e curtir o máximo todas as lições que eu pude e ainda vou tirar de tudo. Sei que agora estou muito tranqüila e muito certa de tudo. Enxergo muita coisa com muito mais clareza. Sei o que é melhor pra mim e é assim que eu quero continuar.

:P

Nefelibata nata!

15 Fevereiro 2008

Ah, foi só dar um empurrãozinho na barra de rolagem que eu vi como se faz pra postar uma imagem! Que coisa, não?