um coração melancólico

12 Novembro 2009 por désenchantée

é engraçado, tenho facebook, orkut, msn, skype, twitter, entre mil outros meios internéticos. mas acima de tudo tenho (alguns) amigos, tenho familia, tenho com quem eu poderia conversar e desabafar, falar daquilo o que eu tenho vontade, mas não sei como fazê-lo. tenho um blog (óbvio) também e acho que resolvi recorrer a ele, talvez porque ninguém vá realmente ler o que estou escrevendo e se, por acaso, isso acontecer, certamente não saberá quem sou.

penso que o mais grave de tudo é esse bloqueio que tenho em falar sobre mim, não importa do que seja: eu não sei falar o que sinto, eu não sei expressar sentimentos. na verdade o que eu não gosto é de desabafar, tenho sempre a tendência em guardar tudo o que eu sinto, tudo o que eu penso pra mim mesma e lá eu fico… pensando, pensando, pensando… e me torturando. cada pensamento é uma tortura. às vezes preferia não pensar. e é engraçado porque tinha tudo pra estar bem, pra não ter com o que me preocupar, pra não ter com o que pensar, nada de afliçoes, nada de angustias, só coisas boas. as coisas boas que vieram e as que estão por vir. e as de agora? agora eu penso frenéticamente nas que estão por vir, ouvindo Kent; embora sem saber o que a letra diz, parece que encaixa-se perfeitamente naquilo que eu não sei o que é. é como caio, sempre perfeito, sempre exato, sempre no ponto. e não importa que seja a primeira, segunda, terceira, vigésima, centésima vez, é sempre como se fosse a primeira vez. o primeiro choque, o primeiro susto, o primeiro impacto e sempre único, mas sempre verdadeiro.

a minha necessidade é de ler e de ouvir: o ritmo perfeito, a leitura impecável.

sinto-me mais aliviada, obrigada.

Oscar Wilde

2 Setembro 2009 por désenchantée

“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. …Fico com aqueles que fazem de mim Louco e Santo. Deles não quero respostas, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso só sendo Louco. Quero os Santos para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua melhor alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: Metade bobeira, metade seriedade!…. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças para que não esqueçam o valor do vento no rosto, velhos para que não tenham nenhuma pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos. bobos e sérios, crianças e velhos….Nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão imbecil e estéril!”

13.08.09

13 Agosto 2009 por désenchantée

Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.

09.08.09

9 Agosto 2009 por désenchantée

“o que me mata é o cotidiano. eu queria so exceções”

Pale September

1 Julho 2009 por désenchantée

Muy buena musica!!

ecos

15 Junho 2009 por désenchantée

eu gosto de ler blogs. gosto de ler pra saber o que as pessoas em geral pensam sobre determinados assuntos, pra concordar, discordar, pra pensar e, porque não, rever e mudar minhas idéias. não costumo comentar, mas sempre que posso/me lembro/tenho vontade eu paro um tempinho e fico lendo o que essas pessoas escrevem.

hoje de manhã, passando por um blog desses, eu li um post de uma guria no qual ela falava sobre um relacionamento que teve e acabou não faz tanto tempo assim. a outra parte começou a namorar outra pessoa e essa se lamentava do quanto sofreu e esses bla bla blas todos.

o que eu pude perceber, não so’ pelo post como também pelos comenta’rios, é que as pessoas não aprendem com as experiências pelas quais passam. as pessoas preferem viver presas ao passado, se lamentando por isso e aquilo e não entendem o quão bem e proveitoso é superar e seguir em frente.

acho que no fundo todo mundo precisa de terapia. e uma sessão de terapia poderia ser até uma BOA conversa com um amigo ou amiga de verdade! as pessoas são mesmo muito complicadas e são elas que têm o dom de complicar tudo. credo.

Passo a palavra pro Caio… :P

ALENTO
Quando mais nada houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.

E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.

Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.

aprendendo

11 Junho 2009 por désenchantée

acredito que viajar seja das melhores coisas da vida. exceto a parte de arrumar a bagagem, bleh! ou a parte em que a nossa bagagem é perdida e nos vemos sem roupa nem pra poder tomar um banho tranquila, bleh²!

viajar é das melhores experiências porque nos proporciona conhecimentos incri’veis, conhecimento que faculdade nenhuma no mundo nos proporcionaria. convenhamos que ficar encerrado dentro de uma sala, ouvindo um professor falar poderia perfeitamente ser substitui’do pela leitura e o estudo de livros sobre o mesmo assunto, em casa, ou em grupos. não quero desmerecer o trabalho de um professor – na minha fami’lia quase todas as mulheres são professoras e o meu curso é exatamente uma licenciatura -, mas diante da minha experiência com – e como, também, – docentes, dispensaria tranquilamente 80% deles e preferia me encerrar em casa e estudar sozinha. quebrar a cabeça pra entender alguma coisa é muito mais eficaz do que recebermos algo de lambuja, e mau ainda por cima. um diploma é so um pedaço de papel escrito alguma coisa.

mas voltando ao assunto… por quê falava de viagens? não sei, ti’pico da minha parte me dispersar e perder o foco do assunto.. grrr

ok que também so’ conheço meia du’zia de pai’ses, mas descobrir o quanto existe e é muito importante descobrir e aceitar a diferença cultural no mundo inteiro nos proporciona lições pra toda a vida. a diferença extema também nos proporciona falta de compreendimento (existe isso? não se trata de não entender, mas de compreensão); por exemplo, os suecos, eta povinho mais estranho. levam anos até conseguirem tomar uma decisão pra se certificarem de que tudo vai dar certo e, caso dê errado, ninguém assume a culpa e a responsabilidade por isso. além de ser um povo fechado, de não saberem conversar e dialogar, no verão parecem outras pessoas, literalmente outras pessoas. não sabem beber, hahaha, beber é sinônimo de ficar bêbado e como ficam diferentes quando bêbados…

os franceses até ja’ são mais abertos, entre eles, mas são chatos. muito chatos. não descontraem e so’ falam de assuntos sérios: trabalho, poli’tica, do que ja gastou com coisas caras, do quanto a frança é o melhor pai’s do mundo, que os franceses são os melhores – inclusive uns com os outros -, sempre querendo mostrar o quanto são inteligentes, além de serem falsos e ci’nicos. e com péssimos e antiquados métodos de ensino. prezam muito a tal da “gentillesse”, mas parece que é so’ isso que admiram numa pessoa. me depecionei com os franceses. eu sei que se algum francês ler isso aqui, não estarei sendo “gentil”, portanto importante ressaltar – se é que vai adiantar alguma coisa – que estou ge-ne-ra-li-zan-do e todo mundo sabe que ge-ne-ra-li-za-ções não existem na pra’tica. não me fechei com os franceses, apenaspassei a agir diferente e as exceções são muito bem-vindas.

ah, e não, os franceses não fedem. os espanho’is fedem.
quanto a essa questão, fico até um pouco intrigada com o, digamos, odor que os espanho’is exalam. não consigo imaginar que alguém possa ficar duas, três, talvez um mês  ou mais sem tomar banho. isso me intriga porque eu conheci uma alemã que tomava dois ou três banhos por semana. descobri porque ela me disse, se não tivesse dito eu nunca poderia desconfiar, ja’ que nunca senti mau cheiro nenhum perto dela e na minha ingênua concepção, imaginava que ficar três ou quatro dias sem banho ja’ era o suficiente pra federmos não so’ pra no’s, mas pra os outros também. agora os espanho’is… eu não sei, mas me intriga. haha

revigorada

5 Junho 2009 por désenchantée

Nossa, não tinha me dado conta que ja’ passaram-se dois meses desde a minha u’ltima postagem. Isso sim que é falta de atenção.

O importante é que esta’ tudo bem, ja’ me sinto (um pouco) mais tranquila. Agora é so’ questão de tempo.

De qualquer forma, encaro tudo de forma positiva, como eu sempre fui e sempre fiz; so’ de começar o dia comendo o filmjölk ja’ da’ outro ânimo hahaha

Marseille

5 Junho 2009 por désenchantée

P2150057

It’s a real question: sera’ que eu sinto saudades desse lugar? ‘As vezes sim.

Estelionato Musical, nossa cultura em pleno caos

29 Março 2009 por désenchantée

obs.: este texto NÃO é de minha autoria.

Entre muitos atributos, o Brasil é conhecido lá fora pela riqueza da sua historiografia musical. A MPB, enquanto estilo, é uma das nossas mais expressivas identidades a nos mostrar para o mundo. Algo que nos eleva e nos projeta, enquanto nação, muito além dos conceitos musical-artísticos das Américas e alhures. A música, portanto, foi durante muito tempo um legítimo produto de exportação made in Brasil. Nosso cartão-postal, tal qual um considerável passaporte para nossa intervenção e inserção na cultura e na história mundial. Porém, diante do atual quadro de descalabro em que se encontra o movimento cultural brasileiro – e, em especial, a rica musicalidade regional –, tudo o mais inspira preocupação e cuidados. Há, por assim dizer, um claro e vergonhoso estado de calamidade a se abater por sobre a nossa música popular, notadamente a de raiz. Aquela que, por sinal, mais nos identificava com a nossa cultura cotidiana, a história e outras manifestações significativas do imaginário poético, folclórico e do nosso cancioneiro popular. A música, diante deste absoluto caldo de contradições culturais, representa apenas a ponta do iceberg. A crise de talento e de idéias também “infecciona” diversos outros estratos do fazer cultural brasileiro, sobretudo pela inexistência de uma política de governo mais agressiva, menos excludente e que também priorize o ambienta da escola, as periferias e o interior do país

A perspectiva de futuro grandioso
Este descuido vai aos poucos se generalizando, ferindo de morte diversos outros setores da nossa máquina cultural. Isso porque quando a sociedade se acultura, todo o resto desmorona, se fragiliza, corre perigo. Para quem acredita ser a cultura a verdadeira identidade de um povo, do jeito que vamos (anestesiados pela indiferença), daqui a pouco não teremos quase mais nada(de especial) para defender e nos preocuparmos. É preciso conter todo este processo de substituição sistemática das nossas expressividades culturais. Como está sendo, por uma cultura alienígena, que não é nossa. Descomprometida com o belo e padronizada ante um modismo imbecil que só idiotiza nossa gente, especialmente a nossa bela juventude. Vivemos, assim, uma realidade digna de envergonhar qualquer nação do globo que preze de verdade a sua identidade. O que estão fazendo com a nossa cultura musical (tradicional-regional inclusive) é um atentado contra a nossa inteligência. Um crime de lesa pátria para o qual todo brasileiro deveria se rebelar enquanto há tempo. Um verdadeiro estupro cultural, algo inaceitável para uma nação que se diz pronta para ocupar uma posição hegemônica na América Latina, bem como no além-fronteiras. Cuidar bem da cultura é cuidar com carinho do presente e do futuro. Uma nação que não valoriza e nem preserva a sua cultura não tem nenhuma perspectiva de futuro grandioso.

Um desserviço à juventude
Qualquer estrangeiro que vier ao Brasil logo pensará que a nossa música é essa que toca no rádio, nos domicílios, nos clubes, nas praças e na TV. Quase tudo o que se ouve, se curte e dança pelo país afora, no momento atual constitui-se num lixo, para não dizer outro nome. Qualquer coisa, menos música… Coisa do tipo: pagode rasteiro, sertanejo choradeira e algo ainda pior – uma praga a se espalhar pelo Nordeste inteiro e por quase todos os quadrantes do Brasil: o forró descartável, descaracterizado, que de forró mesmo não tem nada. Uma poluição mental que só no futuro poderemos aquilatar todo o seu poder deletério e destrutível. O que as emissoras brasileiras estão fazendo (com raras exceções) é um típico “arrastão” anticultural. Uma conspiração em desfavor da nossa história musical que compromete seriamente todo o nosso velho sonho de futuro. O que ora se toca nas nossas rádios é péssimo. Nada condizente com o potencial que possuímos nesta área. Como se deliberadamente subestimassem a inteligência, assim como a paciência da nação verde-amarela. As “bandas” de forró, como são chamadas, descaracterizam nossa música e até o próprio mercado fonográfico. A pobreza é tanta que os próprios nomes destas “bandas” pecam mortalmente até na formulação dos seus títulos. Mais um atentado à gramática, à língua portuguesa, às idéias, à poesia, enfim, ao bom trato dos vocábulos poéticos. As letras de tais composições são sofríveis. Puro mau gosto. Pura pobreza, desnudando às nossas vistas, toda a miséria da nossa música miserável. Uma droga que só entorpece, deseduca e agride tanto a ética, quanto a moral da nossa sociedade, diante de um típico show de besteirol. Inclusive pela baixaria, que também se expressa na obscenidade, palavras chulas, imorais, de baixo calão. Um desserviço prestado à juventude e à nação – e ainda por cima cobram por isso.

Passividade e indiferença
Penso que a música, como um patrimônio do Brasil, devia ser bem mais protegida, sobretudo pelo poder público. E não me digam que a culpa é do nosso povo. Porque isso não é verdade. O povo não tem culpa da educação que não recebe. O povo só pode gostar daquilo que conhece e lhe é oferecido. E o que estão fazendo com nossa gente é uma verdadeira lavagem cerebral. Por que será que os europeus, os alemães, por exemplo, adoram tanto a música erudita? Ora, simples. Lá, a música começa como uma disciplina escolar. As emissoras (de rádio e TV) primam pela qualidade, do contrário perdem a audiência e até a concessão pública para operar. Convenhamos: aqui no Brasil, se querem continuar nos oferecendo o que não presta, pelo menos permitam que as pessoas possam também ter o direito de experimentar o outro lado da moeda (ou do disco?) – ou seja, a música de qualidade e de raiz. Não deixem que a nossa fantástica MPB morra pela nossa passividade e indiferença. Presumo que até Deus seja também uma energia que habita igualmente a musicalidade… Viva a MPB! Abaixo o estelionato musical.

Autor: José Cycero

fonte: http://www.overmundo.com.br/overblog/estelionato-musical-nossa-cultura-em-pleno-caos